Entrevista DCI
Executivos afirmam que crise não mudou planos de investimento. Além disso, a meta de inserção de produtos no mercado americano continua viva em 2009
Nem mesmo a crise internacional e a iminente desaceleração de Estados Unidos e Europa impedem os empresários brasileiros de traçar planos de investimento no exterior. E um mercado que ainda desperta interesse da iniciativa privada brasileiro para o próximo ano é o epicentro da crise: o norte-americano. Os empresários brasileiros interessados no mercado americano afirmam que, apesar da crise, é importante marcar presença nesse momento, uma vez que quando o país retomar o consumo habitual, os itens já estarão inseridos num grande centro de negócios. Segundo o documento Perspectiva Econômica Mundial (WEO, na sigla em inglês), do Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia dos EUA em 2009 crescerá apenas 0,1%,ante a estimativa de 0,8% feita em julho. Para 2008, o organismo elevou a projeção de 1,3% para 1,6%, na comparação à projeção feita em julho, mas o número permanece abaixo dos 2% registrados em 2007. Já o PIB (PIB) global deve crescer 3% em 2009.
A empresa de equipamentos médicos, hospitalares e laboratoriais,
Fanem, fundada em 1924,
tem um plano pre estabelecido de
inserir seus produtos no mercado
dos EUA já em 2009. Segundo a
diretora da empresa, Marlene
Schmidt Rodrigues, a crise não
afetou o planejamento
do grupo. “Não podemos criar
situações fantasmas
no projeto e sim
buscar agarrar as oportunidades
nesse mercado”,
informa.
A representante informa
que o grupo tem
exportado em larga escala
a regiões do mercado Árabe,
além da Ásia e países africanos.
“Vamos entrar no EUA primeiramente
com alguns produtos . Já
na Europa, exportamos para Turquia,
Grécia, França e Inglaterra”,
acrescenta destacando que o
centro de negócios da Agência
Nacional de Promoção as Exportações
(Apex) é um instrumento
utilizado pelo grupo.
Marlene Schmid argumenta
que o planejamento da empresa
sempre prevê crescimento. “Temos planos
até de inaugurar uma
nova fábrica em 2009”,diz sem informar
mais detalhes. Apesar do
otimismo, a diretora deixa claro
que entende os riscos oriundos
dessa crise. “Estamos apostando
nossas fichas na redução de custos.
O objetivo é reduzir gastos em
equipamentos, sem perder qualidade
e sem cortar pessoal para
passar essa fase difícil”, conclui.
Quem pensa da mesma forma
são os diretores da Mineoro - Indústria
Eletrônica. Segundo MônicaGalnares,
diretora da empresa,
mesmo sendo considerado
pequeno, o grupo exportou em
2007 aproximadamente US$ 300
mil, e deve chegar a US$ 500 mil
em 2008. De acordo com a expectativa
do grupo, mesmo diante da
crise, 2009 deve ter um aumento
de 30% no volume vendido.
“Temos um bom
mercado nos países árabes
e na América do Sul,
mas queremos expandir
nossos produtos para os
Estados Unidos no próximo
ano”, afirma. Para Cesar Damasio,
diretor comercial da empresa,
todo o empresariado precisa ser
um pouco otimista. “Para
nós não houve redução de demanda
pelos produtos, que continuam
no mesmo ritmo. Pelo
contrário, o câmbio mais alto tem
sido até melhor para as exportações”,
comenta.
Conforme o diretor de relações
internacionais da Sadia, José Augusto
Lima de Sá, as exportações
da empresa em 10 anos saíram de
US$ 1 bilhão para US$ 5 bilhões,
em2007.
Já para 2008, o grupo espera
fechar o ano com US$ 7 bilhões.“
Sem dúvida temos fundamentos
fortes que fazem a Sadia
vender bem a 130 mercados”, informa.
O representante acrescenta
que a crise não mudou os
planos do grupo para o comércio
internacional, já que os mercados
que compram seus itens são diversificados.
“Devemos trabalhar
de forma diferente com cada
mercado. Vender produtos com
proteína para os países que precisam
dela e outros para quem exige
mais bios segurança ou praticidade, entre outras necessidades”.
Recentemente, a Sadia perdeu R$
760 milhões no mercado de derivativos
cambiais, mas Augusto
disse que isso não afetou os planos
do grupo. “Temos fundamentos
fortes e isso não contaminou
nosso planejamento. Fizemos,
em 2006, um investimento
de US$ 2 bilhões para exportarmos
mais o que nos dá garantia
que conseguiremos atender a demanda
em 2009”, conclui.
Meta
O ministro do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior
(Mdic), Miguel Jorge, defendeu
que os exportadores brasileiros
trabalhem com otimismo visando
expandir seus mercados. Segundo
ele, dá para atingir a meta
de exportação mesmo com a crise.
“Acredito que vamos chegar a
US$ 202 bilhões esse ano e o governo
fará um esforço concentrado
para o volume não desacelerar
em 2009.” O ministro acrescentou que o
governo está empenhado
em garantir todo o crédito necessário
para que o setor continue
vendendo. “As açõesdo Banco Central
são para que os recursos
chegam aos exportadores.
Caso contrário, conversarei com
o [Henrique] Meirelles para verificar
quais são os entraves que
impedem os recursos de chegarem
ao seu destino”, encerra.
Robson Gisoldi

